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segunda-feira, 17 de março de 2014


Meu deus, são estrelas demais!


Imagine-se cercado de estrelas. Ali do lado, ao alcance da mão.


É fácil enlouquecer durante a semana de cinema brasileiro, em Gra­mado. Sem falar no choque cultural com a cidade europeizada, sem nordestinos nem mendigos; sem falar na estranha neblina que desce de repente do pico das serras, a qualquer hora do dia, para ir embora sem o menor aviso; sem falar no ar tão limpo e na luz tão clara que chegam a doer nos pulmões e nos olhos acostumados ao cinza urbano. Mesmo sem considerar isso tudo ajudando no processo de loucura— há as estrelas.
E estrelas, você sabe, não são de carne e osso. Pelo menos no meu coração de guri criado no meio dos campos da fronteira com a Argen­tina, vendo estrelas só no céu — o céu do Rio Grande é o mais belo do Brasil, sem bairrismos — e nas revistas. As estrelas das revistas mais intocáveis até do que as do céu, que numa determinada época do ve­rão costumavam desabar aos montes em direção ao horizonte. Fazía­mos pedidos. As outras, as da terra, não víamos nunca. No máximo, Vi­cente Celestino e—Jesus, como sou antigo!—Procópio Ferreira. Fiquei não só extasiado, mas, para usar o adjetivo exato, estarrecido também.
Agora, imagine-se você cercado de estrelas durante uma sema­na inteira. Ali do lado, ao alcance da mão. É pirante. Você sai do quarto e dá de cara com a moça do quarto ao lado. E a moça do quarto ao lado é nada menos que Nicole Puzzi. Você pega o elevador e uma lourinha simpática faz um comentário rápido sobre o tempo: é Débora Bloch. Aí você vai tomar um café, e o gatão ao lado pede o açúcar: é Nuno Leal Maia. No corredor, meio estonteado, você esbarra sem querer em Marieta Severo. Enquanto pede mil desculpas, alguém esbarra em você: é Arnaldo Jabor. Você resolve ir ao banheiro molhar os pulsos — e quem está fazendo xixi ali do lado, como se fosse a coisa mais normal do mundo? Chico Buarque de Hollanda. Você pensa, meu Deus, pre­ciso sair urgente deste hotel, dar uma volta na rua, ver gente comum, banal, mortal, normal.


Até conseguir chegar à rua, você já tropeçou em Cláudio Marzo, Bruna Lombardi, Fernanda Torres, Riccelli, Roberto Bonfim, Miriam Rios e — socorro, assim também é demais! — Tom Jobim. De cabeça baixa, para não ver mais ninguém, porque chega! você corre para o bar mais fuleiro da esquina. Um bar onde estrelas não entrariam. Mineral com gás, por piedade. O cara ao lado, um de bonezinho, acha a idéia boa e pede uma também. Você olha para a cara ao lado. Embaixo do bonezinho está Ney Latorraca. Você desiste da água, sai a mil pra rua. E choca-se com uma senhora alta, elegantési- ma: Ilka Soares. Logo a tia Ilka, de quem eu colecionava fotos recor­tadas de O Cruzeiro, Vida Doméstica e Cinelândia?
Não, eu não agüento. Não fui feito para essas alturas. Uma vez em que Caetano me sorriu na praia, baixei os olhos e passei batido com o ar mais remoto que consegui armar na cara. Tenho medo-pânico de estrelas. Do céu, da terra. Elas devem permanecer no espa­ço, nas telas, nos palcos. Não andar se misturando por aí, nos bares, nos balcões, nos elevadores, nos banheiros — feito fossem seres co­muns. Preciso — como o Molina, de O beijo da mulher-aranha — ter certeza de que as estrelas são todas como a Leni Lamaison, de Sônia Braga, fumando com gestos largos, cobertas por metros de tule ne­gro, longe do insensato mundo.
Caso contrário, digo ao povo que piro. Não vou admitir de jeito nenhum que as estrelas tenham um cotidiano assim pobrinho que nem o nosso. Como meu irmão Felipe, quando tinha uns dez anos, que me perguntou:

— Caio, a Brigitte Bardot também faz cocô? Até hoje, eu juro que não.


O Estado de S. Paulo, 15/4/1986

quinta-feira, 3 de maio de 2012





 Preciso de segurança, de amor, de compreensão, de atenção, de alguém que sente comigo e fale: Calma, eu estou com você. 

 Caio Fernando.

quarta-feira, 18 de abril de 2012


 
Eu sei que todos os dias quando eu acordo Deus dá um sorriso e me diz: Estou te dando a chance de tentar de novo.
— Caio Fernando Abreu

segunda-feira, 16 de abril de 2012


Vou ficar esperando você numa tarde cinzenta de inverno, bem no meio duma praça, então os meus braços não vão ser suficientes para abraçar você e a minha voz vai querer dizer tanta, mas tanta coisa que eu vou ficar calada um tempo enorme, só olhando você, sem dizer nada só olhando e pensando: “meu Deus, mas como você me dói de vez em quando…

— Caio Fernando Abreu.

domingo, 15 de abril de 2012

"Ontem, por incrível que pareça, todos os lugares que pisei eu te procurei. Fiquei feliz em poder sentir tua falta - a falta mostra o quão necessitamos de algo ou alguém. É assim o nosso ciclo. Eu te preciso. Perto, longe, tanto faz. Me faz bem pensar nessas atividades corriqueiras, que supostamente você está fazendo. Ah, e eu estou te esperando, com meu coração pulsando forte, e quero te abraçar até sentir o mundo girar apenas para nós. É, eu gosto muito de ti." 

-Caio Fernando Abreu.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

“ Não é de repente, é aos pouquinhos que as coisas acontecem. — Caio Fernando.

quarta-feira, 28 de março de 2012


— E o que a gente vira quando vai embora de alguém?
E o Senhô respondeu:
— Uns viram pó. Outros caem igual estrela do céu. Outro só viram a esquina… E têm aqueles que nunca vão embora.
— Não? E eles ficam onde, Senhô?
— Na lembrança.”

- Caio Fernando Abreu.

terça-feira, 20 de março de 2012

"O que eu queria era alguém que me recolhesse como um menino desorientado numa noite de tempestade, me colocasse numa cama quente e fofa, me desse um chá de laranjeira e me contasse uma história. Uma história longa sobre um menino só e triste que achou, uma vez, durante uma noite de tempestade, alguém que cuidasse dele." 

— Caio Fernando Abreu.
"Talvez você pule esses três ou quatro muros que nos separam e segure a minha mão, assim, ofegante, pra nunca mais soltar."
— Caio Fernando Abreu

sábado, 17 de março de 2012

"Perco o medo de dirigir só pra atravessar o mundo pra te ver todo dia. Mas você tem que me prometer que vai remar junto comigo. Mesmo se esse barco estiver furado eu vou, basta me pedir. Mas a gente tem que afundar junto e descobrir que é possível nadar junto. Eu te ensino a nadar, juro! Mas você tem que me prometer que vai tentar, que vai se esforçar, que vai remar enquanto for preciso, enquanto tiver forças! Você tem que me prometer que essa viagem não vai ser a toa, que vale a pena. Que por você vale a pena. Que por nós vale a pena.


Remar.
Re-amar.
Te Amar. ♥

sexta-feira, 16 de março de 2012

segunda-feira, 12 de março de 2012


Daí penso coisas bobas quando, sentado na janela do ônibus […]Encosto a cabeça na vidraça, deixo a paisagem correr, e penso demais em você.
 
— Caio Fernando Abreu.

quarta-feira, 7 de março de 2012

Vou te dizer o que sinto: sabe o que é você dormir pensando em alguém e acordar com esse mesmo alguém na sua cabeça? 

- Caio Fernando.
E vou dizendo lento, como quem tem medo de quebrar a rija perfeição das coisas, e vou dizendo leve, então, no teu ouvido duro, na tua alma fria, e vou dizendo leve, e vou dizendo longo sem pausa - gosto muito de você de você muito de você.
 
— Caio Fernando Abreu.

segunda-feira, 5 de março de 2012

Não eram um casal perfeito, daqueles de cinema. Brigavam muito, ficavam um tempo sem se falar e nesse intervalo ainda rolava uma guerra de indiretas, cada um querendo ser o dono da verdade. Mas no fundo eles sabiam que tudo era joguinho bobo de orgulho, e que por trás das caras fechadas e bicos não se aguentavam de saudade. Tudo bem se eles passavam uma imagem de cão e gato, mas uma coisa é certa… Eles se amavam mais do que qualquer coisa." 

— Caio Fernando Abreu.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

"É preciso que você venha nesse exato momento. Abandone os antes. Chame do que quiser. Mas venha. Quero dividir meus erros, loucuras, beijos, chocolates… Apague minhas interrogações." 
 
— Caio Fernando Abreu.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

"Mas dá um frio na barriga, um tremor, um medo de depender de alguém, de sofrer, de escolher errado, de lutar por algo que não vale a pena. Porque o coração nem sempre é mocinho. Foi por isso que corri, tentei fugir, mas quando tem que ser, não adianta, será."
 
 — Caio Fernando Abreu.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

"E era por isso que ela gostava daqueles (a)braços. Os apertados. Porque era ali. Era ali que ela encontrava tudo o que tinha de mais bonito." 

— Caio Fernando Abreu.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

"Mas eu não quero ter vergonha de nada que eu seja capaz de sentir."

— Caio Fernando Abreu.
"Deixa que a loucura escorra em tuas veias. E quando te ferirem, deixa que o sangue jorre enlouquecendo também os que te feriram."

— Caio Fernando Abreu.