- Lygia Fagundes Telles.
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quinta-feira, 30 de junho de 2011
quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
"Os objetos só têm sentido quando têm sentido, fora disso. . . Eles precisam ser olhados, manuseados. Como nós. Se ninguém me ama, viro uma coisa ainda mais triste do que essas, porque ando, falo, indo e vindo como uma sombra, vazio, vazio. É o peso de papel sem papel, o cinzeiro sem cinza, o anjo sem anjo, fico aquela adaga ali fora do peito.(...)"
(Lygia Fagundes Telles)
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
"(...) E eis que com dezesseis anos e oito meses apenas, pressenti que viriam outros equívocos: enraizar o amor que de repente não é mais amor, é luxúria, lúxuria que de repente não é mais luxúria, é farsa. Farsa que é medo, simplesmente medo da solidão mais difícil de suportar do que o peso do corpo alheio a se abater sobre o meu."
Verão no Aquário – Lygia Fagundes Telles
sábado, 14 de agosto de 2010
''Quero ficar só. Gosto muito das pessoas, mas essa necessidade voraz que
às vezes me vem de me libertar de todos. Enriqueço na solidão: fico
inteligente, graciosa e não esta fria ressentida que me olha do fundo do
espelho. Ouço duzentos e noventa e nove vezes o mesmo disco, lembro poesias,
dou piruetas, sonho, invento, abro todas as portões e quando vejo a alegria
está instalada em mim''.
(Lygia Fagundes Telles, in As meninas)
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
'É preciso amar o inútil. Criar pombos sem pensar em comê-los, plantar roseiras sem pensar em colher rosas, escrever sem pensar em publicar, fazer coisas assim, sem esperar nada em troca. A distância mais curta entre dois pontos pode ser a linha reta, mas é nos caminhos curvos que se encontram as melhores coisas da vida. A música. Este céu que nem promete chuva. Aquela estrelinha nascendo ali... está vendo aquela estrelinha? Há milênios não tem feito nada, não guiou os reis magos, nem os pastores, nem os marinheiros perdidos... apenas brilha. Ninguém repara nela porque é uma estrela inútil. Pois é preciso amar o inútil porque no inútil está a beleza. No inútil também está Deus. Por que não lhe disse antes? Apertá-lo demoradamente contra o meu peito e dizer. Não disse porque pensava que tinha pela frente a eternidade. Só me resta agora esperar que acontença outra vez, vislumbro esse encontro - mas vou reconhecê-lo? E vou me reconhecer nos farrapos da memória do meu eu?
Lygia Fagundes Telles - A disciplina do amor.
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'Coragem de amar e desamar, coragem de morrer e desmorrer, coragem da cólera, da tristeza -ô Deus - até nos enterros, as pessoas tão contidas, tão exemplares.
Se controlando pra não chorar alto, porque se o choro fica forte já vem alguem com a pílula, a injeção, o analista'.
~ Lygia Fagundes Telles ~
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