"- Adeus, disse ele à flor.
Mas a flor não respondeu.
- Adeus, repetiu ele.
A flor tossiu. Mas não era por causa do resfriado.
- Eu fui uma tola, disse por fim. Peço-te perdão. Trata de ser feliz.
A ausência de censuras o surpreendeu. Ficou parado, inteiramente sem
jeito, com a redoma no ar. Não podia compreender essa calma doçura.
É claro que eu te amo, disse-lhe a flor. Foi por minha culpa que não
soubeste de nada. Isso não tem importância. Foste tão tolo quanto eu.
Trata de ser feliz… Mas pode deixar em paz a redoma. Não preciso mais
dela.
- Mas o vento…
- Não estou assim tão resfriada… O ar fresco da noite me fará bem. Eu sou uma flor.
- Mas os bichos…
- É preciso que eu suporte duas ou três larvas se quiser conhecer as
borboletas. Dizem que são tão belas! Do contrário, quem virá visitar-me?
Tu estarás longe… Quanto aos bichos grandes, não tenho medo deles. Eu
tenho as minhas garras.
E ela mostrava ingenuamente seus quatro espinhos. Em seguida acrescentou:
- Não demores assim, que é exasperante. Tu decidiste partir. Vai-te embora!
Pois ela não queria que ele a visse chorar. Era uma flor muito orgulhosa…"
- Pequeno Príncipe - Antoine de Saint-Exupéry
quinta-feira, 12 de abril de 2012
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